sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

"Palazzo Colonna e a Coluna que não Verga – Mil Anos de História no Coração de Roma"

 I. - Introdução


Nessa postagem vamos descrever o Palácio Colonna que é um dos maiores e mais antigos palácios particulares de Roma.
A família Colonna remonta ao século XII e provém do povoado de Colonna, nas redondezas de Roma, de onde leva seu nome.
construção do Palácio começou no século XIV por iniciativa da família Colonna que reside no local permanentemente há oito séculos.
Ao longo de 1600, o Palácio assumiu a forma de um grande palácio barroco, por iniciativa de três gerações da família. Trabalharam no palácio artistas famosos como Gian Lorenzo Bernini, Antônio del Grande, Carlo Fontana, Paolo Schor e muitos outros.


Grande Sala, Palazzo Colonna, foto HistoriacomGosto

Foi nessa época também que houve a construção da esplêndida e majestosa Galeria Colonna que se debruça, por 76 metros, sobre Via IV Novembre;
Em resumo: Caminhar pelas salas do Palácio Colonna é entender que os Colonna nunca se viram como meros súditos. Eles eram aliados de imperadores e Papas. A suntuosidade das salas grandes, com seus espelhos venezianos e afrescos monumentais, era a moldura perfeita para a família que funcionou como um enclave imperial em Roma, garantindo que o poder   de Carlos V fosse sentido dentro de cada centímetro de mármore do palácio
Posteriormente, a partir de 1511, a família Colonna ganhou o título de "Principe Assistente al Soglio Pontificio" que era o compromisso da família de serem os principais assistentes do trono papal e com isso tinham acesso e assento privilegiado nas cerimônias e decisões civis, consolidando sua influência em Roma.
A seguir detalharemos um pouco mais dessa fascinante história e das belezas do Palácio na forma atual.

II. - A Dinastia Colonna: Mil Anos de Poder em Roma


Falar da família Colonna é, em essência, contar a própria história de Roma. Com raízes que remontam ao século XII (e lendas que os ligam aos antigos cônsules romanos), os Colonna não foram apenas espectadores da história; eles foram seus arquitetos, guerreiros e, por vezes, seus maiores rebeldes.

II.1 Uma Linhagem de Ferro e Fé

A ascensão definitiva da família ao topo da pirâmide social europeia consolidou-se com a eleição de Oddone Colonna como o Papa Martinho V (1417-1431). Ele foi o responsável por trazer o papado de volta a Roma após o Cisma do Ocidente, iniciando a reconstrução da cidade e transformando o Palácio Colonna no centro do poder mundial por quase uma década.

Papa Martinho V, fonte Wikipedia

Entre a Espada e a Cruz

A história da família é marcada por uma dualidade fascinante:

a) A Glória Militar: O maior herói da linhagem, Marcantonio II Colonna, liderou a frota papal na lendária Batalha de Lepanto (1571), vencendo os otomanos e garantindo o status da família como "Defensores da Cristandade".

Príncipe Marcantonio II de Colonna, fonte wikipedia

b) A Rivalidade Histórica: Por séculos, os Colonna protagonizaram uma disputa feroz (e muitas vezes sangrenta) contra a família Orsini pelo controle de Roma, uma rivalidade tão profunda que influenciou a política de sucessivos papados.

II.2 Presença Imortal

Diferente de muitas dinastias que se perderam no tempo, os Colonna mantêm sua relevância até hoje. Através de figuras como a poetisa Vittoria Colonna — musa e confidente de Michelangelo — e de uma sucessão de Príncipes que serviram ao trono papal, a família conseguiu o que poucos conseguem: atravessar dez séculos habitando o mesmo solo, preservando um patrimônio que é, simultaneamente, um lar vivo e um museu da humanidade.

Vitoria Colonna 2, fonte: galleriacolonna.it


III. A Anatomia de um Gigante: Como se divide o Palácio Colonna


Palazzo Colonna, fachada para o jardim, foto de Peter1936F em Wikimedia

O complexo é uma "cidade dentro da cidade", composto por diferentes alas que refletem os gostos de várias gerações da família. Podemos dividi-lo em quatro áreas principais:


III.1 - A Galeria Colonna (A Ala de Prestígio)


É a joia da coroa e a parte que o público mais conhece. Foi construída no século XVII para ser uma vitrine de poder.

As Salas: Divide-se em ambientes magníficos como a Sala da Coluna Bélica, a Grande Galeria (com seus espelhos e afrescos), a Sala dos Primitivos e a Sala da Apoteose de Martinho V.

a) Sala da Coluna Bélica

A Sala da Coluna Bélica (ou Belínea) é o portal de entrada para a monumental Grande Galeria e deve seu nome à coluna de mármore vermelho sobre um pedestal que fica no centro da sala. Para o seu blog, aqui estão os pontos essenciais:

Sala da coluna bélica, fonte: palazzo colonna


A "Bala de Canhão": É nesta sala, nos degraus que descem para a Galeria, que você encontra o projétil que atingiu o palácio em 1849 — um detalhe que prova que a história militar da família não estava apenas nos quadros, mas batia à sua porta.


Bala de canhão encravada na escadaria

"Em 1849, a Itália estava em chamas com os ideais de unificação (Risorgimento). O Papa Pio IX foi forçado a fugir de Roma e uma república democrática foi proclamada por líderes como Giuseppe Mazzini e Giuseppe Garibaldi.

O Papa, então, pediu ajuda às potências católicas para retomar o controle da cidade. A França, sob o comando de Luís Napoleão (futuro Napoleão III), enviou um exército para cercar e bombardear Roma para restaurar o poder papal."

De onde veio a bala?

Durante o cerco, as tropas francesas estavam posicionadas no alto do Monte Gianicolo (Janículo), de onde tinham uma visão privilegiada da cidade.

  • O Disparo: Em 20 de junho de 1849, um canhão francês disparou do Gianículo em direção ao centro histórico.

  • O Trajeto: A bala atravessou o telhado do palácio, passou por uma das janelas da Grande Galeria e atingiu exatamente o degrau de mármore onde está até hoje.

  • A Curiosidade: "O Palácio Colonna sobreviveu aos bárbaros e aos rivais por séculos, mas foi a artilharia francesa — enviada para proteger o Papa — que deixou a cicatriz mais famosa em seus degraus de mármore. A família decidiu manter a bala de 1849, que não explodiu, no local exato do impacto, transformando um erro de cálculo militar em um símbolo eterno de resiliência."

Lembremos que após 1511 a Família Colonna, tinha o título de "Principe Assistente al Soglio Pontificio" e portanto o dever de defender o trono e os direitos papais. 

b) Sala da Apoteose


A sala é dedicada a Oddone Colonna, que se tornou o Papa Martinho V (1417–1431). Ele é, sem dúvida, o membro mais importante da dinastia. 

Martinho V foi o Papa que encerrou o "Grande Cisma do Ocidente", o período em que a Igreja teve dois (e até três) papas ao mesmo tempo. Foi ele quem trouxe o Papado de volta a Roma definitivamente, após o período em Avignon.


Sala da Apoteose, fonte galleriacolonna.it

O Estilo: É o triunfo do Barroco Romano, onde as molduras douradas, o mármore colorido e os tetos pintados criam uma experiência imersiva.

c) Sala dos primitivos

Na história da arte, o termo "Primitivos" refere-se aos artistas que trabalharam antes do auge do Renascimento (séculos XIV e XV).

  • O Prestígio da Antiguidade: Para uma família que se orgulha de ter raízes na Roma Antiga, possuir obras desses "pioneiros" era uma forma de mostrar que o seu palácio era um guardião da evolução da civilização cristã e artística.

  • Intimismo: Diferente da Grande Galeria, que é feita para o deslumbramento público, a Sala dos Primitivos tem uma escala mais humana e espiritual, convidando à observação detalhada.

Sala dos Primitivos, foto galleriacolonna.it

Virgem da Anunciação - Guercino, 1640 a 1650

Esta pintura na Galleria Colonna é intitulada A Virgem da Anunciação (ou Virgin Annunciate) e foi pintada pelo mestre barroco italiano Guercino (nascido Giovanni Francesco Barbieri)

Virgem da Anunciação, Guercino, 1640 a 1650,
foto HistoriacomGosto

A pintura é uma representação serena da Virgem Maria no momento da Anunciação, caracterizada pela iluminação etérea e pela expressão introspectiva típicas do estilo tardio de Guercino. Na imagem, Maria é retratada lendo um livro sagrado, um detalhe iconográfico comum que simboliza sua piedade e aceitação da mensagem divina.

d) Sala da Capela





III.2.  Apartamentos Privados (Apartamento Princesa Isabelle)

Enquanto a Galeria era para recepções oficiais, os apartamentos eram o coração da vida doméstica da nobreza. 

Diferente de outras alas do palácio que foram convertidas puramente em museus ou escritórios, a Princesa Isabelle viveu nesses aposentos até o fim de sua vida, em 1984. Ela amava profundamente o lugar e cuidava pessoalmente de cada detalhe. O fato de ela ter vivido ali por 75 anos garantiu que o ambiente não fosse descaracterizado.


Princesa Isabelle, foto galleriacolonna.it


Pequena história da Princesa Isabelle Colonna -"A Vice Rainha de Roma"

Nascida Isabelle Sursock, de uma família aristocrática libanesa (frequentemente chamados de "Os Rothschild do Oriente"), ela casou-se com o Príncipe Marcantonio VII Colonna em 1909.

Isabelle não foi apenas uma moradora; ela foi a alma do palácio durante grande parte do século XX. Sua importância é tão vasta que ela era apelidada de a "Vice-Rainha de Roma". Enquanto a monarquia italiana caía e a política mudava, Isabelle manteve o Palácio Colonna como um centro inabalável de influência, cultura e diplomacia.

Grande dama de corte, inteligente, culta, conservadora no sentido mais puro e coerente, após a queda da monarquia tinha lhe acontecido substituir Maria José como “rainha suplente”, oferecendo recepções reais às quais eram admitidas unicamente cabeças coroadas e, entre os burgueses, apenas financistas e banqueiros, com a condição que, obviamente, não fossem divorciados“ 
(desta forma a recorda Laura Laurenzi, no jornal diário La Repubblica de 18 de novembro de 1984, por ocasião do funeral dela).

Nos últimos anos de vida, seu apartamento tinha-se transformado num local de tesouros que ela gostava de mostrar apenas aos amigos mais íntimos.

Atmosfera: Ocupado até meados do século XX pela Princesa Isabelle, o apartamento mantém um ar de "casa vivida", com fotos de família, móveis preciosos e uma coleção de vistas de Vanvitelli.
Sala Vanvitelli
O apartamento abriga a maior coleção privada de obras de Gaspard van Wittel (Vanvitelli). Ele foi o mestre que ensinou os europeus a "verem" Roma através de suas pinturas detalhistas.
Sala Vanvitelli, foto galleriacolonna.it


Sala de Festas

Era o lugar onde a Princesa Isabelle recebia a "nata" da sociedade romana, chefes de Estado e artistas para eventos menores, jantares de gala privados e chás ou até mesmo audição de música e dança para grupos seletos.

Enquanto a Galeria era um museu de poder, esta sala era uma sala de estar funcional. Era ali que a Princesa exercia seu papel de "Rainha não coroada de Roma".

Sala de festas, foto galleriacolonna.it



Sala della fontana

 Era uma sala de passagem e recepção que impressionava os convidados pelo som da água e pelo frescor.

Sala da fonte, foto galleriacolonna.it



III.3. O Pavilhão Pio e os Pátios Internos

O palácio é estruturado em torno de pátios que garantiam luz e ventilação, mas também serviam para o movimento de carruagens.

O Pavilhão Pio abriga parte da coleção de arte e é uma das alas mais antigas do palácio, mostrando a transição das estruturas medievais para o Renascimento.

Pavilhão Pio, sala da Cornucópia, foto galleriacollona.it


III. 4. O Jardim do Quirinal (O Refúgio Vertical)

Diferente dos jardins horizontais de Versailles, o jardim do Colonna é ascendente.

Pontes de Conexão: O palácio é tão grande que possui pontes internas que cruzam a rua (Via della Pilotta) para levar os moradores diretamente dos aposentos para o jardim na encosta do morro.

Pontes de Conexão, foto HistoriacomGosto


O Cenário: É composto por sebes de buxo, estátuas clássicas, fontes e restos do antigo Templo de Serápis (do século III d.C.), culminando em um terraço com uma vista de tirar o fôlego para o Altar da Pátria e o Capitólio.

Escadaria principal dos jardins, foto HistoriacomGosto

Visão dos telhados de Roma, foto HistoriacomGosto


IV. O Olhar do Colecionador: A Acumulação de Arte como Símbolo de Poder

No Palácio Colonna, as pinturas não foram escolhidas apenas pela estética; cada tela e escultura servia como uma peça no tabuleiro do prestígio político e religioso da Europa. A coleção que vemos hoje é o resultado de séculos de um "olhar de dono", onde a arte era a moeda mais valiosa da nobreza.




IV.1 - O Prestígio Pós-Lepanto e o Grand Tour

A coleção deu um salto monumental após a Batalha de Lepanto (1571). A vitória de Marcantonio II Colonna contra os otomanos elevou a família a um status quase divino em Roma. A partir desse período, os Colonna passaram a encomendar obras que imortalizassem sua glória. 


IV.2 Curadoria Secular: Uma Galeria com "Alma"

Diferente do Louvre ou do Vaticano, onde as obras são deslocadas de seus contextos originais para paredes impessoais, na Galeria Colonna a arte permanece "em casa".

Contexto Vivo: Muitas molduras foram esculpidas especificamente para as paredes onde estão penduradas até hoje. As obras "conversam" com o mobiliário, com os afrescos do teto e com a luz que entra pelas janelas originais.

A Coleção de "Primitivos": Um diferencial raro é a sala dedicada aos Primitivos (obras dos séculos XIV e XV), que mostra que a família já colecionava arte muito antes do auge do Renascimento. Lá, encontramos joias como o Rei David e São Jerônimo (do círculo de Signorelli) e peças de Bernardino di Mariotto, mantidas com o mesmo zelo que as grandes telas barrocas.

IV.3 - A Arte que Salva a História

O processo de acumulação também foi um ato de preservação. Ao contrário de outras famílias nobres que venderam seus acervos em tempos de crise, os Colonna instituíram o fideicomisso no século XIX — um instrumento jurídico que proibia a venda ou dispersão da coleção. É graças a essa decisão que hoje podemos ver o palácio exatamente como ele era há 300 anos.


IV.4 - Algumas obras de arte da coleção


a) Comedor de feijões = Aniballe Carracci, 1580 a 1590
A pintura é famosa por sua abordagem realista e "popular", retratando um vislumbre da vida cotidiana de uma pessoa comum no século XVI, um tema raro para as grandes obras daquela época.
Comedor de feijão, Sala Apoteose

b) São Paulo Eremita - Guercino, 1637 a 1638
A obra retrata São Paulo de Tebas, considerado o primeiro eremita cristão, em um momento de penitência e oração no deserto. O estilo barroco de Guercino é evidente no uso dramático de luz e sombra (tenebrismo) e na anatomia detalhada do santo.

São Paulo eremita, sala maior


c) Virgem com o Menino Jesus adormecido, Santa Ana e São João Batista, Agnolo Bronzino (Agnolo di Cosimo), 1540 a 1550

A pintura captura um momento de ternura onde a Virgem Maria observa o Menino Jesus dormindo profundamente, enquanto o jovem São João Batista se aproxima. A figura idosa atrás de Maria é identificada como Santa Ana, a mãe de Maria (e não São José, o que explica sua observação correta sobre a composição).

Este estilo é um exemplo perfeito do Maneirismo, com a pele das figuras tendo uma aparência de mármore polido e cores frias e sofisticadas

Virgem com o Menino Jesus..., Agnolo Bronzino, 1540 a 1550


d) Moisés com as tábuas da Lei - Guercino, 1624

A pintura mostra Moisés em uma composição de meio corpo, vestindo um manto vermelho vibrante que contrasta com o fundo escuro (estilo típico do tenebrismo barroco). Ele está segurando as Tábuas da Lei, que contêm os Dez Mandamentos, e apoia-se em um bastão. O artista capturou Moisés com uma expressão de profunda contemplação e reverência, destacando sua barba farta e sua fisionomia idosa.

Moisés com as tábuas da Lei, Guercino, 1624,
foto historiacomgosto


e) Um jovem Homem bebendo 

A cena retrata um homem em uma taberna, cercado por elementos de natureza-morta como pães, queijos e uma garrafa revestida de vime, capturando um momento de prazer cotidiano com o forte contraste de luz e sombra típico do estilo caravaggesco



f) São Tiago Maior - Sandro Boticelli e sua oficina, 1485 a 1490

A pintura apresenta o santo com seus atributos tradicionais de peregrino: o manto vermelho e o cajado, contra um fundo arquitetônico clássico que era comum no final do século XV em Florença.


São Tiago Maior, Boticelli e Oficina, 1485 a 1490,
foto HistoriacomGosto


V.


sábado, 7 de fevereiro de 2026

Civita di Bagnoregio, A Cidade que morre !

 1. - Introdução: Civita di Bagnoregio: A Pérola Suspensa no Tempo


Civita di Bagnoregio é uma vila periférica da comuna italiana de Bagnoregio, na província de Viterbo, no centro da Itália. Fica a 1 kilometro a leste da cidade de Bagnoregio e cerca de 120 kilometros  ao norte de Roma. O único acesso é uma passarela a partir da cidade vizinha, com pedágio introduzido em 2013. 

Devido ao pedágio, os impostos comunitários foram abolidos em Civita e nas proximidades de Bagnoregio. Devido à sua fundação instável que frequentemente sofre erosão, Civita é conhecida como “a cidade moribunda”. É membro da associação "I Borghi più belli d'Italia" ("As mais belas aldeias da Itália").

A Fundação: Raízes Etruscas

A história da Civita começa há mais de 2.500 anos. Ela foi fundada pelos Etruscos, um povo engenhoso que escolheu o topo de um platô de tufo (pedra vulcânica) por questões estratégicas de defesa.

Civita di Banoreggio,  Visão global da cidade, foto HistoriacomGosto,

Naquela época, a cidade era próspera e bem conectada. Os etruscos já haviam mapeado os riscos geológicos e construído sistemas de drenagem de água para evitar que a chuva desgastasse a pedra macia sobre a qual a cidade repousava.


2. Evolução através do Tempo

  • Era Romana: Após os etruscos, os romanos assumiram o controle, mantendo a importância comercial da vila.

  • Idade Média: É aqui que a cidade ganha a aparência que vemos hoje. Ruas estreitas, arcos de pedra e a Igreja de San Donato (que fica na praça principal) são marcos desse período. Foi também o berço de São Boaventura, um dos filósofos e teólogos mais importantes da Igreja Católica.


3. O Início da Decadência: Por que ela está sumindo?

A "morte" da cidade não foi um evento súbito, mas um processo geológico implacável:

  • A Fragilidade do Solo: A cidade está assentada sobre uma camada de tufo, que repousa sobre uma base de argila e areia. A argila é instável e sofre erosão com o vento e a chuva.

  • O Terremoto de 1695: Este foi o golpe fatal. Um grande terremoto causou o colapso de partes significativas da borda do penhasco, isolando a Civita da cidade vizinha (Bagnoregio).

  • O Abandono: Após o terremoto e sucessivos deslizamentos, os serviços públicos foram transferidos para a parte "nova" (Bagnoregio). A população começou a migrar, deixando a Civita quase deserta e ganhando o apelido dado pelo escritor Bonaventura Tecchi: "A cidade que morre".


4. Como ela está hoje?

Apesar do apelido dramático, a Civita vive uma renascença turística. Ela não está morta, mas sim "congelada".


Vista aérea do vilarejo, foto de © Giovanni Gagliardi em dreamstore.com


a) O que ainda funciona:

  • População: No inverno, apenas cerca de 7 a 10 pessoas vivem lá permanentemente. No verão, esse número sobe para cerca de 100.

  • Comércio: Existem restaurantes charmosos, algumas pousadas (B&Bs) e lojas de artesanato que atendem aos milhares de turistas que visitam o local diariamente.

  • Taxa de Entrada: Para ajudar na preservação e contenção da erosão, cobra-se uma pequena taxa de entrada (cerca de €5).

  • ErosãoA erosão continua até hoje. Recentemente, foram instalados sensores de monitoramento e cabos de aço para tentar segurar as encostas, transformando a cidade em um laboratório vivo de geologia.

foco em um lado do penhasco,
foto historiacomgosto


b) Localizações principais:


b.1) Ruelas e praças em Civita

As ruelas de Civita di Bagnoregio são um verdadeiro labirinto de pedra, onde o tempo parece ter estagnado entre paredes de tufo e portais medievais. Caminhar por elas é descobrir passagens estreitas adornadas com flores coloridas, escadarias desgastadas pelos séculos e varandas que revelam, de repente, o abismo infinito do Vale dos Calanchi. 

Pequena rua em Civita, foto de  © Milla74 | Dreamstime.com


b.2) Hotéis

É perfeitamente possível dormir na Civita di Bagnoregio, e essa é, inclusive, uma das experiências mais mágicas que você pode vivenciar na visita. Quando os turistas de um dia vão embora e a ponte se esvazia, a vila ganha uma atmosfera de silêncio e mistério que é indescritível.

"Civita Secret Lodges", "Libera Mente" são exemplo de dois hoteis em Civita di Banoreggio. Você pode achar outros no booking.com

Civita Secret Lodges e Libera Mente ficam aqui,
fotos de booking.com,


Quando reservar o hotel/pousada, tenha certeza e confirme se a localização da hospedagem é realmente em Civita di  Bagnoregio. Pois se falar que é em Bagnoregio, é do outro lado da ponte, na parte moderna. 


b.3) Igreja de São Donato 

A Igreja de São Donato (Chiesa di San Donato) é o coração pulsante da Civita di Bagnoregio. Ela domina a praça principal (a única praça da cidade, feita de terra batida e pedras) e é um exemplo fascinante de como a arquitetura italiana se sobrepõe através dos séculos.

Antes de ser uma igreja cristã, o local abrigava um templo etrusco. Sobre os alicerces etruscos, os romanos construíram um templo pagão. Somente por volta do século V é que a primeira estrutura cristã foi erguida.

A fachada é simples e elegante, típica do Renascimento italiano, feita com a pedra local (o tufo).

Igreja de São Donato, foto de © Demerzel21 em dreamstime.com


O interior da Igreja possui três naves e é um refúgio de silêncio e frescor. Ao contrário de muitas igrejas italianas carregadas de ouro, San Donato mantém uma rusticidade que combina com a atmosfera da aldeia.

Interior da Igreja de São Donato, foto HistoriacomGosto


A Lenda: Durante uma epidemia de peste em 1499, acredita-se que o crucifixo "falou" com uma mulher, garantindo que a praga terminaria em breve — o que de fato aconteceu.

b.4 - Restaurante "Osteria al forno di Agnese"

Para completar um bom passeio a Civita di Bagnoregio nada melhor que um bom restaurante. Vi boas avaliações desse abaixo "Osteria al forno di Agnese".

Osteria al forno di Agnese, foto da propriedade


5. Como chegar:

A Civita é um destino "sem carros". O acesso é exclusivo para pedestres.

  1. Vindo de Roma ou Florença: Pegue o trem até as cidades de Orvieto ou Viterbo ou venha com carro próprio.

  2. placa de chagada, foto HistoriacomGosto

    Ônibus: De Orvieto, partem os ônibus da linha Cotral que levam até Bagnoregio caso você não esteja com carro.                                                        

  3. A Caminhada Final: Ao chegar em Bagnoregio, você deve se dirigir ou caminhar (pegar um ônibus interno) até o início da ponte de concreto de 300 metros. Existe uma praça com local de apoio aos turistas com mirante e uma descida para as escadas. Prepare o fôlego: a ponte é íngreme, mas a vista é a melhor recompensa do mundo.
    .Apoio ao turista
Ponto de apoio em Bagnoregio, foto historiacomgosto

              .descida para pegar a ponte para Civita

Indicação escadas, foto HistoriacomGosto

Descida do ponto de apoio até local da ponte de entrada,
foto historiacomgosto


                  .Mirante para Civita:

                                 
Vista para Civita a partir do Mirante, foto HistoriacomGosto


Estacionamento: Quem estiver de carro em viagem tem que se preocupar com estacionamento, pois os que vi não eram monitorados e não recomendados para deixar a bagagem desassistida. Nesse ponto de apoio ele não é fechado ou vigiado. Talvez na parte central da localidade de Bagnoregio tenha melhor condição.

Observação: Como estávamos voltando para Roma, depois de uma grande peregrinação na Itália com carro, não quisemos arriscar de deixar o carro com todas as nossas bagagens em estacionamento não vigiado. Ficamos no ponto de apoio com mirante para Civita. Se tivermos uma próxima viagem com menos bagagem, procuraremos dormi lá. 

6. - Referências


- Wikipedia

- Gemini

- Notas de viagem

- fotos: HistoriacomGosto / Dreamstime.com  / Wikipedia


"Palazzo Colonna e a Coluna que não Verga – Mil Anos de História no Coração de Roma"

 I. - Introdução Nessa postagem vamos descrever o Palácio Colonna que é um dos maiores e mais antigos palácios particulares de Roma. A famíl...